terça-feira, 13 de setembro de 2022

Godard

 Godard escolher morrer em pleno setembro amarelo é sintomático. Eu sei... Não existe setembro amarelo na Suiça e nem em nenhum outro país senão no Brasil. Mas é sintomático. Godard escolher morrer no setembro amarelo é como a Montanha chorar porque não conseguiu salvar seus amigos do Nada na História Sem Fim. É também a imagem de um mundo sem esperança, mergulhado até a testa num apocalipse que é climático, que é político, que é social, que é econômico, que é estético, ou seja, que é moral. Assim como disse Ivan Karamazov, se Deus não existe tudo é permitido. E as pessoas se dão as mãos e se dizem: "é sobre isso e tá tudo bem", mas não tá.

sábado, 10 de setembro de 2022

Notas sobre envelhecer

No momento, estou inclinada a pensar que envelhecer/crescer/amadurecer - chame como quiser - é ir se conhecendo melhor, descobrindo as próprias falhas de caráter e, portanto, perdendo algumas vaidades.

Quando paro pra pensar, fico assustada do tanto que já me matei até aqui: todas as possibilidades, todos os talentos, todos os hábitos, todos os amigos, todos os mundos que abandonei. No fim, o que vai sobrar? O essencial? O que é o essencial? O ar que respiro e o espaço que meu corpo ocupa? Vai sobrar alguma coisa? Existe um fim?