No contexto do Estado Novo e de suas censuras e controles à atividade intelectual e artística, o samba foi alçado ao papel de símbolo nacional. Getúlio Vargas, com seu aparato de propaganda autoritária, acreditava que a música tinha o poder de transformar as massas. Assim sendo, um samba que carregasse boas letras, incentivando bons comportamentos e boas posturas, converteria vagabundos em trabalhadores nacionalistas contribuindo para o fortalecimento e crescimento econômico da nação. E foi assim que nasceu o samba exaltação.
A ditadura militar iniciada com o golpe de 1964, embora tenha sido em grande medida um fruto crescido das mesmas elites que promoveram a instabilidade política que ameaçou o cargo de presidente e, ao que tudo indica, levaram Vargas à decisão última, dava à musica popular importância semelhante. Com bem menos méritos estéticos, é verdade, mas dava. Acontece que o lado oposto também. A esquerda combativa, já esquecida dos ideais de Vargas, mas nascida e criada no mundo sonoro que ele idealizou, tinha na música popular seu habitat natural. A inspiração na música de protesto norte-americana é real, mas o campo de batalha disputado centímetro por centímetro que se tornou a MPB deve ser analisado levando-se em conta o papel da Era Vargas.
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