- Goumertização da vilania: é mais trend ser Coringa do que Batman.
- Assassins Creed, Counter Strike e companhia. Qualquer coisa que se diga contra jogos como esses é rapidamente rebatida com: "ah... mas a pessoa tem que saber a diferença...". E é verdade. A pessoa tem que saber a diferença, mas..., e se não souber? Além disso, se você começa com quatro, cinco anos de idade, e depois passa a vida jogando, vai saber a diferença? Crianças e adolescentes estão sendo treinados em simulações de guerra e ninguém se incomoda com isso? Confere, produção?
- Disseminação de discursos que colocam a escola e os professores como culpados de todos os males da sociedade. "Ah.. Mas a escola não ensina os meninos a respeitarem as meninas!", "Ah... Mas essa cultura machista aprendida nas escolas.", "Ah... Mas mas a escola não ensina as coisas práticas da vida.", "Ah... Mas o professores são antiquados e preguiçosos e só por isso obrigam as pobres crianças a lerem os clássicos.", "Ah, mas a escola está ensinando educação sexual", "Ah, mas a escola não está ensinanso educação sexual", etc.
Pois saibam, é perfeitamente normal que a escola não ensine um monte de coisas. Afinal a educação é dever do Estado, das Escolas e da Família. Os professores não deveriam estar nesse lugar de fazer milagre educando sozinhos - com autoridade minada e sem ferramentas - o Brasil inteiro. Quanto aos clássicos e essa suposta preguiça de novidade, o que posso dizer é que, dentre outras coisas, é papel da escola e dos clássicos a manutenção de valores que são universais (sim, eles existem!) como o amor ao próximo, a empatia, o respeito aos mais velhos e por aí vai.
- E por fim, o discurso de ódio geral. Imagine um doido que ouve vozes (com todo respeito para com os doidos). Como certa vez disse uma amiga, essas vozes nunca mandam a pessoa capinar um quintal. Então o doido está lá vivendo a vida interna difícil que ele tem, com todas as sensações ruins e inexplicáveis que as doenças mentais implicam. Aí ele escuta, no grupo de WhatsApp da família ou em algum canal do Youtube, uma teoria da conspiração qualquer e toma aquilo como o motivo das sensações ruins dele. Além do mais, ele vê as pessoas pelas ruas, na família, na TV e no governo, chamando certos grupos de "câncer", "bandidos", "ervas daninhas" e outros adjetivos nada elogiosos que vêm sendo normalizados nos últimos tempos. Isso faz com que o doido entenda que existe aprovação social para o que ele está prestes a fazer: uma agressão, um massacre, uma loucura.
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Em vinte anos, o Brasil viu acontecer 16 ataques à escolas em seu território. Desses, 8 foram nos últimos três anos. Há quanto tempo vemos a escalada do discurso de ódio? Não vou responder. Que o leitor use de discernimento e faça as contas.
Hoje, duas alunas me perguntaram por onde eu fugiria casso o massacre acontecesse. A polícia já estava na porta, por conta de ameaças que estamos recebendo dia após dia. Um aluno foi identificado como origem, mas não vivemos no filme Minority Report: ninguém pode ser punido por um crime ainda não cometido.
O que será o amanhã?
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