quinta-feira, 6 de julho de 2023

 Aos vinte e três a gente é frágil. No meu caso, tinha sempre aquela sensação no ar, uma coisa que eu não entendia muito bem e por isso nem podia colocar em palavras. Tudo era grande, muito e importante. Ao mesmo tempo eu era pequena, pouco e nada. E de uma hora pra outra, esse era o medo, eu podia simplesmente desaparecer nos outros se não tivesse cuidado. Mas se você me perguntasse sobre medo, sobre vergonha ou insegurança..., claro, eu ia te dizer que não conhecia essas coisas. Agora, eu acho que esse medo indefinido era o verdadeiro motivo de eu me obrigar a ser tão arrogante e mesquinha, principalmente com pessoas mais velhas. 

Você não era mesquinha.

Falsamente autoconfiante então.  

Eu nunca pensei que você fosse autoconfiante. Ele sorriu e continuou, na verdade, sua timidez sempre foi bem óbvia pra mim. 

É porque eu fingia mau, respondi rindo também... mas na época eu não sabia. Achava que disfarçava bem e que parecia super segura. E além disso, autoconfiança não é o contrário de timidez. 

Tá. Você entendeu o que eu disse.

Não sei se entendi. Aliás, nem sei direito o que estou falando.  Vamos mudar de assunto. 

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